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CARTA MANIFESTO DOS FAZEDORES E FAZEDORAS DE CULTURA DO PIAUÍ. TEIA NACIONAL – ARACRUZ/ES


CARTA MANIFESTO DOS FAZEDORES E FAZEDORAS DE CULTURA DO PIAUÍ

TEIA NACIONAL – ARACRUZ/ES

Nós, fazedores e fazedoras de cultura, produtores culturais, artistas, mestres e mestras da cultura popular, comunidades tradicionais de matrizes africanas, pontos de cultura, coletivos culturais, grupos periféricos e movimentos sociais do estado do Piauí, tornamos pública nossa profunda indignação diante da forma como vêm sendo conduzidos a política pública e os processos de avaliação e execução da Política Nacional 

Tornamos pública nossa  urgência no atendimento de uma das mais recorrentes e legítimas reivindicações da classe trabalhadora da cultura em todo o Piauí: a reformulação da estrutura organizacional do Conselho Estadual de Cultura, que hoje não segue as diretrizes estabelecidas pela Lei Federal nº 14.835, de 4 de abril de 2024, que institui o marco regulatório do Sistema Nacional de Cultura (SNC). No Conselho de Cultura do Piauí a participação não é paritária e os membros não são eleitos de forma direta pelos seus pares. Também manifestamos nossa profunda indignação diante da forma como vêm sendo conduzidos a principal política pública de fomento do estado o SIEC e os processos de avaliação e execução da Política Nacional Aldir Blanc – PNAB no estado do Piauí e em diversos municípios piauienses.

As denúncias e reclamações acumuladas desde a Lei Aldir Blanc até a PNAB Ciclo 2, incluindo SIEC, revelam um cenário de insegurança, perseguição política, falta de transparência, ausência de diálogo institucional e exclusão histórica dos verdadeiros agentes culturais que constroem a cultura viva nos territórios.

No caso específico dos editais da PNAB do Governo do Estado do Piauí, através da Secretaria de Estado da Cultura – SECULT, temos observado pareceres praticamente padronizados, sem fundamentação técnica clara, sem justificativas individualizadas e sem transparência sobre os critérios reais de avaliação e desclassificação dos projetos. Muitos artistas relatam a sensação de que os projetos não foram analisados de maneira humana e técnica, mas apenas submetidos a respostas genéricas, desrespeitando a trajetória e a dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura.

É inadmissível que projetos históricos, construídos por grupos tradicionais, artistas populares, povos de terreiro, coletivos negros, indígenas, periféricos e culturais do interior do estado estejam sendo sistematicamente excluídos sem direito a respostas claras e objetivas.

Denunciamos também o tratamento desigual ocorrido durante a TEIA Estadual do Piauí, onde uma delegada ( Poliana Sepúlveda ) legitimamente eleita de forma pública pelos delegados presentes foi posteriormente retirada da delegação, simplesmente porque um representante de organização afirmou que não assinaria a documentação necessária para emissão da passagem. Tal atitude representa grave violação da democracia participativa, desrespeito ao processo coletivo e autoritarismo institucional.

O que estamos vivendo no Piauí não é um caso isolado. Há um sentimento generalizado de perseguição contra grupos culturais que se posicionam criticamente ou que se recusam a permanecer em silêncio diante das injustiças. Muitos fazedores de cultura denunciam que vêm sendo excluídos sistematicamente dos editais estaduais desde os tempos da Lei Aldir Blanc, principalmente aqueles artistas históricos que possuem trajetória reconhecida de luta e atuação social.

É preciso afirmar: cultura não pode ser instrumento de perseguição política, acordos eleitorais ou favorecimentos pessoais.

Enquanto isso, os grupos culturais do interior seguem enfrentando enormes dificuldades estruturais: ausência de acesso à internet de qualidade, dificuldades de leitura e escrita técnica, falta de assessoria e exclusão digital. Mesmo assim, continuam tentando acessar as políticas públicas culturais. Porém, infelizmente, muitos relatam que os projetos não são avaliados pela sua importância cultural, mas sim por quem os apresenta.

Diante desse cenário, denunciamos publicamente:

A falta de transparência nos processos de avaliação da PNAB no Piauí;

A ausência de fundamentação técnica adequada nos pareceres;

As práticas de exclusão e perseguição política contra grupos culturais críticos;

O desrespeito às decisões democráticas da TEIA Estadual;

O abandono das comunidades culturais do interior;

A omissão dos órgãos responsáveis diante das denúncias já realizadas ao Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal e demais instituições competentes.

Solicitamos ao Ministério da Cultura – MINC, ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e aos órgãos de controle:

A apuração rigorosa da aplicação dos recursos públicos destinados à cultura;

A fiscalização dos processos de avaliação e seleção dos editais;

A criação de mecanismos mais transparentes, populares e acessíveis de participação;

A proteção dos grupos culturais vítimas de perseguição institucional;

A garantia de que os recursos públicos cheguem verdadeiramente na ponta, aos fazedores de cultura.

Também defendemos a construção de um novo modelo nacional de avaliação cultural, mais humano, democrático, descentralizado e inclusivo, que respeite as diversidades regionais, os saberes tradicionais e as realidades dos territórios periféricos, quilombolas, indígenas e de matriz africana.

A cultura brasileira resiste graças aos seus povos, suas ancestralidades e seus territórios.

Não aceitaremos o silenciamento dos fazedores e fazedoras de cultura.

Que esta TEIA Nacional seja um espaço de escuta, coragem, denúncia e transformação.

Teresina (PI), 14 de maio de 2026.

Fazedores e Fazedoras de Cultura do Estado do PiauíComunidades Tradicionais de Matrizes AfricanasPontos de CulturaMovimentos Culturais e Sociais do Piauí


 

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