Os casos de intolerância religiosa no estado do Piauí têm registrado números significativo nos últimos anos, acendendo um alerta entre lideranças de terreiros, entidades jurídicas e órgãos de defesa dos direitos humanos. Mesmo diante de esforços contínuos de organizações da sociedade civil e instituições públicas, episódios de violência, racismo religioso e ataques a espaços sagrados seguem sendo denunciados em diferentes regiões do estado, especialmente em Teresina.
Recentemente, mais um caso reforçou a gravidade da situação. Durante a realização de um culto de matriz africana, a mãe de santo Núbia foi alvo de intolerância religiosa, o que levou ao registro de boletim de ocorrência. A ação contou com o acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Piauí, por meio da Comissão de Liberdade Religiosa e da Comissão de Direitos Humanos. As comissões são presididas pela advogada Jéssica Lima e pelo advogado Baru Adv, que têm atuado diretamente no apoio às vítimas e no encaminhamento das denúncias.
Segundo dados e levantamentos recentes, o Piauí já chegou a figurar como o 4º estado do Brasil com maior número de casos de violência religiosa. As religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, são as principais vítimas, com registros que vão desde ataques a terreiros até ameaças durante rituais, além de ofensas raciais que caracterizam racismo religioso.
Outro episódio que ganhou repercussão envolveu ataques após a divulgação de uma imagem de Iemanjá na capital, evidenciando o preconceito ainda presente na sociedade. Além disso, denúncias também têm surgido no ambiente educacional, com casos de intolerância registrados em escolas e encaminhados ao Ministério Público.
O aumento das denúncias no Disque 100 reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes. Em resposta, iniciativas vêm sendo desenvolvidas, como a criação de cartilhas educativas por estudantes e professores, além da atuação do Grupo de Trabalho de Defesa Social e Combate ao Racismo Religioso, vinculado à Secretaria Estadual de Segurança Pública.
Lideranças religiosas destacam que a luta vai além da denúncia: trata-se da defesa de um direito fundamental garantido pela Constituição Federal — a liberdade de crença e de culto.
A Comissão de Liberdade Religiosa da OAB Piauí segue sendo uma das principais parceiras nesse enfrentamento, acompanhando casos, orientando juridicamente e fortalecendo ações de combate à discriminação.
Em nota, representantes de terreiros reafirmam que continuarão firmes na luta contra qualquer forma de intolerância, destacando que a fé, a ancestralidade e a resistência dos povos de terreiro não serão silenciadas.
Fonte: Relatos de lideranças de terreiros do Piauí, Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Piauí, Comissões de Direitos Humanos e Liberdade Religiosa, Secretaria de Segurança Pública do Piauí, Disque 100.
